Danças, rodeios, invernadas artísticas, música nativista e Semana Farroupilha mantêm viva a identidade cultural do município no coração do Rio Grande do Sul
Júlio de Castilhos (RS) – Em Júlio de Castilhos, a cultura gaúcha não é apenas lembrança do passado. Ela está presente nos galpões dos CTGs, nas danças das invernadas, nos rodeios, nas cavalgadas, na música nativista, no chimarrão, na pilcha e na Semana Farroupilha. A tradição faz parte da identidade local e ajuda a fortalecer o sentimento de pertencimento entre famílias, jovens, crianças e comunidades do interior.
O município possui forte presença de entidades tradicionalistas. O Movimento Tradicionalista Gaúcho registra, entre as entidades locais, o CTG Júlio de Castilhos, localizado na Avenida Fernando Abott, e o CTG Porteira Aberta, na Rua Carlito Fumagalli. Essas entidades funcionam como espaços de convivência, formação cultural, ensaios, bailes, eventos campeiros e preservação dos costumes gaúchos.
Além dos CTGs, outras entidades e piquetes ajudam a manter viva a chama da tradição no município. Em cerimônia de distribuição da Chama Crioula, a Prefeitura citou a presença de entidades como CTG Porteira Aberta, CTG Júlio de Castilhos, CTG Tio Anastácio, DT Herdeiros da Tradição, DT Fogo de Chão, Piquete Rodeio da Amizade, Piquete Santo Izidro, DT Alma Farrapa, Centro de Doma Relincho de Potro, Centro de Doma e Treinamento Paysano e Centro de Treinamento Talismã.
A Semana Farroupilha é um dos momentos mais importantes desse calendário cultural. Durante o mês de setembro, Júlio de Castilhos se une a todo o Rio Grande do Sul para relembrar a história, os símbolos e os valores ligados à Revolução Farroupilha. Segundo a Prefeitura, os Festejos Farroupilhas têm como objetivo relembrar a história, os feitos que definiram o território gaúcho e os marcos que fazem parte das características do povo rio-grandense.
A Chama Crioula, símbolo maior dos festejos, percorre entidades e comunidades, reforçando a ligação entre tradição, memória e identidade. Em Júlio de Castilhos, a distribuição da chama para entidades tradicionalistas representa mais do que uma cerimônia: é um gesto de continuidade cultural, passado de geração em geração.
Outro destaque são as invernadas artísticas, responsáveis por formar crianças, jovens e adultos nas danças tradicionais gaúchas. Por meio dos ensaios e apresentações, os participantes aprendem postura, ritmo, história, indumentária, trabalho em grupo e respeito às tradições. No município, o NTG Alma Farrapa, ligado ao IFFar – Campus Júlio de Castilhos, é exemplo de iniciativa que valoriza a cultura por meio da extensão, com invernada artística e participação em encontros de invernadas.
Os rodeios também têm papel central na cultura tradicionalista castilhense. O CTG Júlio de Castilhos é conhecido por sediar grandes eventos campeiros. Em 2025, foi divulgado o 53º Rodeio Estadual do CTG Júlio de Castilhos, realizado de 30 de janeiro a 2 de fevereiro, com programação envolvendo provas de laço, crioulaços e atividades culturais.
A força campeira do município também aparece em provas ligadas ao cavalo crioulo. A Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos registrou a realização de um Crioulaço em Júlio de Castilhos durante a programação do Rodeio de Abertura da temporada do CTG Júlio de Castilhos, com 44 duplas participantes.
Mas a tradição gaúcha vai além das pistas e dos palcos. Ela está no cotidiano das famílias, no preparo do churrasco, na roda de chimarrão, na música de gaita, violão e acordeona, no uso da pilcha em datas especiais, nas histórias contadas pelos mais velhos e na participação comunitária. Em muitos casos, os CTGs funcionam como escolas informais de cultura, onde crianças aprendem desde cedo o significado dos símbolos do Rio Grande do Sul.
A música nativista também cumpre papel importante. Em bailes, apresentações e encontros culturais, canções tradicionais ajudam a contar a história do campo, da lida campeira, da vida no interior e dos valores associados à cultura gaúcha. A música aproxima gerações e reforça o sentimento de orgulho regional.
Para Júlio de Castilhos, preservar a tradição também significa fortalecer a identidade local. Em uma cidade com forte ligação com o campo, o agronegócio, a pecuária e as comunidades rurais, a cultura gaúcha conecta passado e presente. Os CTGs e grupos tradicionalistas ajudam a manter viva essa ponte entre a história dos antepassados e os jovens que hoje dão continuidade aos costumes.
Os desafios, porém, existem. Manter uma entidade tradicionalista exige voluntariado, recursos, estrutura, formação de instrutores, participação das famílias e apoio da comunidade. Ensaios, eventos, deslocamentos, roupas típicas, instrumentos e manutenção dos espaços demandam investimento e dedicação constante.
Por isso, valorizar os CTGs e eventos tradicionalistas é também valorizar a educação cultural. Cada apresentação de invernada, cada rodeio, cada acendimento da Chama Crioula e cada Semana Farroupilha ajudam a ensinar às novas gerações que tradição não é algo parado no tempo, mas uma herança viva, construída todos os dias.
Em Júlio de Castilhos, a cultura gaúcha segue firme porque está nas mãos de quem dança, canta, laça, declama, organiza, ensina e participa. Os CTGs, piquetes, departamentos tradicionalistas e grupos culturais são guardiões de uma identidade que faz parte da alma do município.
